16 NOV 21h30 | PICO | Salão Nobre da CMSRP
17 NOV 21h30 | FAIAL | Teatro Faialense
18 NOV 21h30 | TERCEIRA | Auditório do Ramo Grande
RECITAL DE VIOLONCELO E PIANO

Recital de Violoncelo e Piano
Varoujan Bartikian, violoncelo
Karina Aksenova, piano

Programa

L. van Beethoven
Sonata para Piano e Violoncelo em Sol Menor op. 5, n.º 2
Adagio sostenuto ed expressivo
Allegro molto più tosto presto
Rondo-Allegro

F. Schubert
An die Musik

F. Mendelssohn
Canção sem palavras op.109 (post.)

S. Rachmaninov
Vocalise, op. 34 n.º 14

J. Brahms
Sonata para Piano e Violoncelo em Mi Menor, op. 38
Allegro non troppo
Allegretto quasi Menuetto
Allegro

Notas ao programa
As duas primeiras sonatas para piano e violoncelo op. 5 foram escritas por Ludwig van Beethoven (1770-1827), em 1796, para o rei da Prússia Friedrich Wilhelm II (um praticante do violoncelo), depois de uma tournée que levou o compositor de Dresden a Leipzig e, por fim, a Berlim.
A sonata op. 5 no. 2 foi a primeira obra de Beethoven a ter um andamento de grande dimensão, como é o primeiro, com 509 compassos. Começa com uma extensa introdução em sol menor que, só por si, podia ser um andamento, num Adagio sostenuto ed expressivo, sobre um acorde em fortíssimo seguido de um movimento descendente em ritmos pontuados, o que lhe confere um carácter solene, senão dramático. No final, o acorde de dominante e as pausas que se seguem criam um suspense que não deixa adivinhar a fluidez da frase melódica exposta pelo violoncelo com que começa o Allegro molto, na forma-sonata. Este 1º tema domina uma grande parte do 1º andamento. O 2º tema é apresentado pelo piano numa escala ascendente e posteriormente imitado pelo violoncelo. O desenvolvimento é relativamente curto por comparação com as outras partes. Na reexposição, que acaba surpreendentemente na tonalidade maior, voltam a ouvir-se os mesmos temas. O 2º andamento surge na forma rondó em sol maior com um tema-refrão que se repete com clareza várias vezes. Contrasta com o 1º andamento pela sua estrutura menos complexa e pelo seu carácter jovial.
An die Musik é um célebre Lied composto por Franz Schubert (1797-1828) com poema de um dos seus maiores amigos, Franz von Schober. O poema fala do poder mágico da música para confortar a alma do poeta nas suas horas mais sombrias. O lirismo da melodia, o acompanhamento discreto do piano, do qual se destaca a voz grave, contribuíram para a sua popularidade e para as adaptações que se fizeram para outros instrumentos, como foi o caso do violoncelo.
A Canção sem palavras, op. 109 foi composta por Felix Mendelssohn (1809-1847) para a violoncelista francesa Lisa Cristiani com quem tocou o dueto. É uma obra em que sobressai uma linha melódica com acompanhamento, tal como nas peças do mesmo nome que escreveu para piano. Este dueto só foi publicado após a sua morte.
Vocalise é a última canção sem texto de um conjunto de catorze canções que Sergei Rachmaninov (1873-1943) dedicou a diversos cantores conhecidos, entre os quais Chaliapin. Foram compostas entre 1910 e 1912, ainda na Rússia, sobre poemas de mais do que um poeta russo. A vocalità da plangente linha melódica cujos ecos se fazem ouvir no piano, tornou-a rapidamente conhecida e objecto de diversos arranjos como o que faz parte deste recital. A concepção da sonata op. 38 começou em 1862 embora Johannes Brahms (1833-1897) só a tivesse acabado três anos depois, devido a outros compromissos da sua vida profissional. Foi uma época em que o compositor teve novas oportunidades que o levaram a aceitar a direcção da Academia de Canto de Viena. Neste cargo dirige repertório que vai do Renascimento ao século XIX, incluindo as suas obras. A sua linguagem musical, na presente obra, revela um grande conhecimento das obras que dirigiu, em particular, as de Johann Sebastian Bach e a sua escrita contrapontística. O 1º andamento tem a estrutura da forma-sonata, com o primeiro tema a ser apresentado pelo violoncelo. Esta melodia é acompanhada pelos acordes do piano que pouco depois a reproduz. Segue-se uma série de motivos retirados desse tema expostos por ambos os instrumentos em constante diálogo, todos eles movimentando-se em redor do intervalo de segunda que faz parte do final do primeiro tema. O 2º tema volta a ser apresentado pelo violoncelo, agora num desenho menos melódico em intervalos de 5ª. No desenvolvimento atinge-se o clímax de todo o andamento, sucedendo-se a reexposição com os dois temas já ouvidos na exposição. Nesta obra, Brahms exclui um segundo andamento que, segundo as convenções, deveria ser mais lento para contrastar com o primeiro. Contudo, o 3º andamento obedece à forma de minuete e trio que era uma convenção ainda mais remota. O desenho melódico com que começa, apresenta contornos idênticos ao do 1º andamento. Ao carácter dançante e galante da 1ª parte opõe-se o do trio de natureza mais sentimental, embora as duas secções mantenham muitas relações motívicas. O 3º andamento começa com uma fuga a 3 vozes apresentada primeiramente pela mão esquerda do pianista, depois pelo violoncelo e por fim pela mão direita do pianista. Contudo, pouco depois surge um 2º tema, seguindo-se o desenvolvimento e a reexposição, mostrando assim tratar-se de uma forma-sonata. Na forma como relaciona a linguagem harmónica com a contrapontística, Brahms revela não só um grande conhecimento das técnicas do passado como uma mestria na sua articulação.

Varoujan Bartikian | violoncelo

Nasceu na Arménia e iniciou os seus estudos na Escola Especial de Música Tchaikovsky, sob a orientação de Alexander Tchauchian. Entre 1978 e 1983, frequentou o Conservatório Superior de Música Komitas, em Yerevan. Concluiu o mestrado em Violoncelo e em Ciências Musicais. Foi o vencedor do Concurso Transcaucasiano de Violoncelo, em Tbilissi (1977). Foi professor de violoncelo no Conservatório Komitas, em Yerevan. Desde 1989 que se encontra em Portugal, tendo integrado a Orquestra Gulbenkian, com a qual também se apresentou em concerto. É membro fundador do Quarteto de Cordas de Yerevan, que foi o vencedor do Concurso Borodine (1983). Desde 2001, é violoncelista do Quarteto Capela. Actualmente lecciona as disciplinas de violoncelo e de música de câmara no Instituto Piaget/ ISEIT de Almada. Recentemente ocupou o cargo de 1.º violoncelista da Orquestra Gulbenkian.

Karina Aksenova | piano

Nasceu em Moscovo e iniciou os seus estudos musicais aos seis anos, na Escola Central Especial de Música adstrita ao Conservatório «Tchaikovsky» da mesma cidade. A partir de 1991, prosseguiu a sua formação artística em Lisboa, com a professora Tania Achot, tendo concluído o curso de piano do Conservatório Nacional de Lisboa com a classificação máxima. Em 1992, foi laureada no concurso da Juventude Musical Portuguesa. Licenciou-se na Escola Superior de Música de Lisboa com o professor Miguel Henriques. Participou em várias masterclasses com Sequeira Costa, Pedro Burmester, Dmitri Bashkirov, Vladimir Viardo, Andrei Diev, entre outros. Tem-se apresentado regularmente a solo, mas actualmente dedica-se a concertos de música de câmara, nomeadamente com músicos da Orquestra Gulbenkian com os quais já se apresentou um pouco por todo o País. Colabora regularmente com a Orquestra Gulbenkian. É pianista acompanhadora na Escola Superior de Música de Lisboa e no Instituto Piaget. Actualmente lecciona a disciplina de piano no Instituto Gregoriano de Lisboa.