20 SET 11h30 | GRACIOSA | Auditório da EBS (concerto pedagógico)
22 SET 21h30 | SANTA MARIA | Clube Asas do Atlântico
24 SET 21h30 | | FAIAL
RECITAL DE CANTO E PIANO

20 SET 11h30 | GRACIOSA | Auditório da Escola Básica e Secundária (concerto pedagógico)
22 SET 21h30 | SANTA MARIA | Clube Asas do Atlântico
24 SET 21h30 | FAIAL | Teatro Faialense

 

Recital de Canto e Piano

Elisa Borges, soprano

Jorge Vaz de Carvalho, barítono

Carla Seixas, piano

Programa

I

W. A. MOZART

Dueto: Bei männern welche liebe fühlen (Papageno/Pamina, Die Zauberflöte)

Ária: Der vogelfänger bin ich ja (Papageno, Die Zauberflöte)

Ária: Ach,ich fühl’s (Pamina, Die Zauberflöte)

Dueto: Crudel, perchè finora (Conte Almaviva, Susanna, Le Nozze di Figaro)

Ária: Deh vieni alla finestra (Don Giovanni)

Ária: Batti, batti, o bel Masetto (Zerlina, Don Giovanni)

Dueto: La ci darem la mano (Don Giovanni, Zerlina, Don Giovanni)

II

F. CHOPIN

Nocturno em Mi Menor, Op. 72 n.º 1

 

R. SCHUMANN

Familien-Gemälde, op. 34, n.º 4

Wenn ich ein Vöglein wär, op. 43, n.º 1

Herbstlied, op. 43, n.º 2

Intermezzo, op. 74, n.º 2

Liebesgram, op. 74, n.º 3

In der Nacht, Op. 74 n.º 4

Mailied, op. 79, n.º 10

Die Schwalben, Op. 79, n.º 21

Blaue Augen hat das Mädchen, op. 138, n.º 9

 

Notas ao programa

As óperas de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) são uma parte fundamental da sua obra. Da totalidade, destacam-se as que tiveram os libretos escritos por Lorenzo Da Ponte (1749-1838), como Le Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro, 1786), Don Giovanni (D. João, 1787) e Così fan Tutte (Assim fazem todas, 1790). Da parceria de Mozart com Da Ponte, um homem de rara intuição e experiência no domínio dramático-musical, surgiu um entendimento invulgar que, na História da Música europeia, teve poucas situações equiparáveis. No libreto de Le Nozze di Figaro, adaptado da obra de Beaumarchais, a mestria é bem evidente na forma como o libretista consegue retirar o essencial da peça do autor francês, usando as palavras que permitiram a Mozart fazer dela uma obra prima. O dueto “Crudel, perchè finora” pertence ao começo do 3º acto, em que o conde, pretendendo com o seu estatuto social tirar partido sexual de Susana, criada de quarto da sua mulher, se lamenta de esta o fazer esperar pela satisfação dos seus desejos. Para além das várias subtilezas musicais utilizadas pelo compositor a realçar os sentimentos de cada uma das personagens, repare-se no jogo de palavras que leva o conde a fazer prometer a Susana que ela não faltará ao encontro. No dueto “La ci darem la mano” do 1º acto da ópera Don Giovanni, o protagonista quer seduzir uma camponesa, Zerlina, que ele encontra no dia da celebração do noivado desta. Ela começa por hesitar para no fim se deixar conquistar e segui-lo. À sensualidade musical que impregna todo o dueto, há que acrescentar a forma como Mozart faz progredir a acção fazendo alternar a sedutora convicção do conquistador com o canto fragmentado de Zerlina a realçar a sua hesitação. Na ária masoquista “Batti, batti, o bel Masetto” é a vez de Zerlina reconquistar o noivo, Masetto, para que este lhe perdoe a fraqueza anteriormente cometida. Mozart recorre, entre outros meios, aos vocalizos finais da soprano como meio último de sedução. No 2º acto, em “Deh vieni alla finestra”, Dom João faz uma serenata, agora à criada de quarto de D. Elvira, uma aristocrata seduzida no passado por D. João. Die Zauberflöte (A Flauta Mágica, 1791) teve um novo libretista, Emanuel Schikaneder, que encomendou esta ópera a Mozart para a representar no seu teatro. É com a ária estrófica, de carácter popular, “Der vogelfänger bin ich ja” que o bem disposto caçador de pássaros, Papageno, se apresenta ao público com a sua flauta e revela a vontade de caçar tantas raparigas quanto pássaros. Nesta ária Mozart antecipa a importância que a canção popular adquirirá no romantismo. No dueto “Bei männern welche liebe fühlen” a princesa Pamina e Papageno cantam o amor que tem o poder de fazer despertar a bondade no homem. Na ária do 2º acto, “Ach, ich fühl’s, es ist verschwunden …” Pamina chora o silêncio do seu amado, o príncipe Tamino. As obras vocais do compositor alemão Robert Schumann (1810-1856) foram escritas durante a década de 1840, um período em que a Europa foi varrida por intensas manifestações sociais e políticas. No que respeita ao compositor, esta década foi marcada, logo no seu início, pelo silêncio daquele que fôra seu professor e que seria seu sogro, Friedrich Wieck, depois de um período de firme oposição ao casamento da sua filha Clara com o músico, e, no final de dos anos 40, pela fuga do compositor e da família de Dresden para os arredores, na sequência da revolução de 1848. O ano seguinte ficaria marcado como o mais produtivo do seu trabalho criativo, com cerca de 40 obras. Numa carta, Schumann refere-se aos acontecimentos de Dresden como tendo provocado nele uma reacção oposta ao ambiente que se vivia, que o levou a virar-se para si próprio e a compôr incessantemente. As canções que fazem parte dos op. 34 e 43 são de 1840 e correspondem, provavelmente, a um pragmatismo de Schumann que, no começo da sua vida familiar, terá sentido a necessidade de se voltar para um mercado com muito procura por este género. Os opus seguintes foram escritos em 1849. Quer os textos que compõem o op. 74 como os do op. 138 foram traduzidos do espanhol e fizeram reviver um género músico-dramático que se encontrava então moribundo, o Liederspiel, em que a canção era introduzida em peças de teatro. Ao recorrer a um tipo de canção com traços tão pouco marcados como este, Schumann renovou um género que tanto servia à sociabilidade praticada musicalmente pelo público amador mais erudito, como pelos profissionais. O Nocturno, Op. 72 nº 1 de Frederic Chopin (1810-1849) foi composto por volta de 1829 e reflecte o pianismo do salão aristocrático e burguês que o músico frequentou e onde o seu estilo musical de acentuada individualidade foi um dos traços mais marcantes. Para além destes aspectos, esta peça não só foi a primeira de uma série de nocturnos que o compositor continuaria a escrever ao longo da vida, como deixa entrever uma nova concepção face  à melodia. As sucessivas ornamentações a que sujeita a ideia inicial surgem não como mero decorativismo mas como um reforço do seu carácter expressivo.

Maria José Artiaga

 

ELISA BORGES, soprano

Natural da cidade de Ribeirão Preto (Brasil), iniciou os estudos de canto lírico em 2002 com a professora Gisele Ganade e logo se estreou como solista no Teatro Pedro II, na apresentação da peça Glória de Vivaldi com a Orquestra de Ribeirão Preto. Teve o seu primeiro papel em 2004, protagonizando a ópera estúdio “O Barbeiro de Sevilha” de G. Rossini, no papel de Rosina. Em 2009 foi aprovada em primeiro lugar no teste para integrar o Coral Lírico do Teatro Municipal de São Paulo do qual passou a fazer parte em Janeiro de 2010. Aperfeiçoou o seu estudo de canto lírico com a professora italiana Francesca Gualtieri. Foi orientada pelo professor Márcio Gomes em São Paulo. Desde 2009 vem sendo orientada pelo professor Jorge Vaz de Carvalho, tendo-se mudado para Portugal e adquirido a nacionalidade portuguesa para um trabalho de técnica e interpretação vocal sob sua orientação.

 

JORGE VAZ DE CARVALHO, barítono

Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, Mestre em Literaturas Comparadas pela Universidade Nova de Lisboa e Doutorado em Estudos de Cultura na Universidade Católica de Lisboa, a sua criação literária inclui poesia, conto, ensaio e tradução. Tendo feito, desde criança, estudos musicais, trocou a actividade docente pela de cantor lírico, tendo-se estreado, em 1984, no Teatro Nacional de São Carlos de Lisboa. Desde então, interpretou inúmeros papéis principais, sobretudo em óperas de Mozart, Rossini, Donizetti, Verdi, Puccini, Bizet, Gounod, Massenet ou Wagner, em países como a Alemanha, Austrália, Bélgica, China e Macau, Croácia, Espanha, França, Israel, Itália ou Japão. É assiduamente convidado para ministrar master-classes de voz e de interpretação operática e para júri de importantes concursos nacionais e internacionais de canto.

 

CARLA SEIXAS, piano

Nascida em Luanda, iniciou os seus estudos de Piano no Conservatório Nacional, nas classes de Noémia de Brederode e de Olga Pratts, prosseguindo-os mais tarde junto de Sequeira Costa e de Tania Achot. Diplomada em 1977 com a classificação máxima, frequentou como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian a classe de Piano de Sequeira Costa na Universidade do Kansas. Como bolseira da Secretaria de Estado da Cultura estudou ainda durante quatro anos em Paris, sob a orientação de Jean Fassina. A sua actividade tem-se repartido pelo repertório solístico e pela música da câmara, havendo-se já apresentado em recital nas principais salas de concerto do País. No estrangeiro deu-se a ouvir em vários países da Europa, da África, da América do Sul, da Ásia e da Oceânia. Com a soprano Lia Altavilla gravou a integral para canto e piano de Francisco de Lacerda, intitulada «Saudades da Terra» para a etiqueta Fine Arts. Entre 1978 e 2011 foi professora de Piano no Conservatório Nacional de Lisboa, e actualmente lecciona na Academia de Santa Cecília.