9 NOV 21h30 | TERCEIRA | Auditório do Ramo Grande
10 NOV 21h30 | SÃO MIGUEL | Teatro Micaelense
12 NOV 14h00 | SÃO JORGE | Auditório Municipal de Velas
QUINTETO COM PIANO

Quarteto Matosinhos | Paulo Pacheco, piano
Vítor Vieira, violino I
Juan Maggiorani, violino II
Jorge Alves, viola d’arco
Marco Pereira, violoncelo
Paulo Pacheco, piano

PROGRAMA

I

M. Ravel
Quarteto de Cordas em Fá Maior
Allegro moderato
Assez vif – très rythmé
Très lent
Vif et agité

II

D. Shostakovich
Quinteto com piano em Sol menor, op.57
Prelúdio: Lento
Fuga: Adagio
Scherzo: Allegretto
Intermezzo: Lento
Finale: Allegretto

Notas ao programa

O quarteto de cordas em Fá Maior (1902-1903) foi escrito quando Maurice Ravel (1875-1937) ainda frequentava o Conservatório de Paris. Com apenas vinte e sete anos, e apesar das críticas díspares que suscitou, o compositor revelava com esta obra uma segurança na linguagem musical que muitos consideravam ser mais própria da maturidade de um músico. Um dos aspectos mais salientes deste quarteto é a sua estrutura cíclica. Baseia-se na utilização de materiais temáticos apresentados no primeiro andamento e utilizados em todos os outros, dando assim uma forte unidade a toda a obra.

Por outro lado, sempre que faz uso do mesmo material, Ravel serve-se de diferentes recursos tímbricos e harmónicos para lhe conferir variedade. Os dois primeiros andamentos seguem uma estrutura tradicional. Começa com uma forma-sonata com dois temas principais. O primeiro é apresentado logo no início pelo primeiro violino, acompanhado, nos restantes instrumentos, pelo movimento ascendente da escala de Fá M em duas oitavas. O segundo tema é introduzido pelo primeiro violino e pela viola à distância de duas oitavas. Após um breve desenvolvimento que atinge o seu clímax em fortíssimo, volta-se a ouvir o tema inicial com que começa a reexposição. O segundo andamento, no qual surgem as duas ideias temáticas do primeiro, adopta a estrutura estilizada do Scherzo, com vivacidade e em pizzicato nas cordas. Volta a ouvir-se o primeiro tema, agora com uma complexidade que lhe advém da sobreposição de ritmos de natureza diversa. Após uma parte central, com um carácter totalmente contrastante devido ao seu andamento lento, segue-se uma repetição curta da primeira parte.

O andamento seguinte, ao contrário dos dois primeiros, tem uma estrutura muito mais fluida, assemelhando-se quase a uma fantasia onde voltam a ouvir-se os ecos temáticos do andamento inicial. O último andamento, “vivo e agitado”, cria um contraste absoluto com o anterior. Regressam as ideias melódicas do início, modificadas agora na sua forma e ritmo. Este último andamento parece ter irritado Gabriel Fauré, o professor de Ravel a quem a obra foi dedicada. Contudo, Debussy, sabendo de algumas das críticas negativas que lhe foram feitas, escreveu ao autor do Bolero pedindo-lhe para não modificar uma nota que fosse. O quinteto com piano de Chostakovitch (1906-1975) foi escrito em 1940 antes da entrada da União Soviética na 2ª Guerra Mundial e estreado no mesmo ano com o compositor ao piano. Foi recebido com enorme sucesso e premiado oficialmente. As formas clássicas dos seus andamentos, assim como a relativa clareza do seu estilo, depois da censura que algumas das suas obras tinham sofrido, como a ópera Lady Macbeth do Distrito de Mensk e a 6ª Sinfonia, podem ter sido motivos para a sua boa recepção. É uma das suas obras mais conhecidas das muitas de câmara que escreveu, tendo sido tocada no seu velório no Conservatório de Moscovo.

O Prelúdio e a Fuga com que começa esta obra podia bem representar uma homenagem a Johann Sebastian Bach, de quem Chostakovitch era profundamente admirador. O Scherzo do 3º andamento decorre numa atmosfera lúdica em contraste com os andamentos anteriores. O Intermezzo apresenta um atmosfera mais lírica embora pontuada pela tensão. Tal como o primeiro andamento, parece servir de introdução ao Finale. Neste último andamento, o compositor utiliza a estrutura da forma-sonata em que todas as suas partes são apresentadas com grande nitidez.

Maria José Artiaga

Quarteto de Cordas de Matosinhos (QCM)

Fundado em 2007, é constituído por Vítor Vieira e Juan Maggiorani (violinos), Jorge Alves (viola) e Marco Pereira (violoncelo). O QCM realizou estudos especializados no Instituto Internacional de Música de Câmara de Madrid, sob a orientação de Rainer Schmidt (violinista do Quarteto Hagen). Apresenta-se em concerto um pouco por todo o país, tendo sido convidado a participar nos Dias da Música do CCB, na Casa da Música do Porto, nos Festivais de Música de Espinho, Póvoa de Varzim, no Festival Música Viva e no Festival Vertigem Sonora em Santiago Compostela. Em 2009, foi o agrupamento vencedor do 1.º Concurso Internacional de Música de Câmara de Alcobaça.

Paulo Pacheco, piano

Paulo Pacheco, natural dos Açores (São Miguel), estudou piano nas classes de Graça Paiva Cunha e de António Teves no Conservatório Regional de Ponta Delgada. É licenciado pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou com Miguel Henriques, e obteve o mestrado em Piano Performance na Universidade do Norte do Texas, sob a orientação de Vladimir Viardo. Obteve o 1.º Prémio de Música de Câmara (nível superior) no Concurso Prémio Jovens Músicos/1999, o 3º Prémio no «Concerto Piano Competition MTNA», entre outros. Apresenta-se regularmente em recitais de música de câmara com o Trio.pt e com o flautista Nuno Inácio.