5 OUT 21h30 | TERCEIRA | Palácio dos Capitães-Generais
6 OUT 21h30 | SÃO MIGUEL | Teatro Micaelense
INTERNATIONAL TELEKOM BEETHOVEN COMPETITION

Recital de Piano

Jingge Yan, piano

PROGRAMA

LUDWIG VAN BEETHOVEN (Bona, 1770-Viena, 1827)
Bagatelles op. 33
1. Andante grazioso, quasi Allegretto
2. Scherzo (Allegro)
3. Allegretto
4. Andante
5. Allegro, ma no troppo
6. Allegretto quasi Andante
7. Presto

Bagatelles op. 119
1. Allegretto
2. Andante con moto
3. À l’Allemande
4. Andante cantabile
5. Risoluto
6. Andante – Allegretto leggiermente
7. Allegro ma non troppo
8. Moderato cantabile
9. Vivace moderato
10. Allegramente
11. Andante, ma non troppo

Bagatelles op. 126

1. Andante con moto
2. Allegro
3. Andante
4. Presto
5. Quasi Allegretto
6. Presto – Andante amabile e con moto

 

 

NOTAS AO PROGRAMA

O conjunto de bagatelas que fazem parte deste recital pertencem a dois períodos diferentes da vida de Ludwig van Beethoven. As sete bagatelas que compõem o op. 33 foram escritas em 1802, enquanto as que fazem parte dos opus 119 e 126, foram escritas entre 1820 e 1824. Em 1802, apenas com 32 anos, Beethoven já sabia que estava a ficar surdo e comunicou-o aos seus amigos mais íntimos. Passa
então por emoções muito diversas que testemunham não só o seu desespero perante a doença como a sua vontade de lhe resistir. É num dos momentos de maior angústia que escreve o célebre testamento de Heiligenstadt. Entre 1820 e 1824, Beethoven encontra-se já no fim da sua vida e compõe muitas das suas obras maiores como a Missa solene, a 9ª sinfonia e a sonata para piano op. 111. Deve-se a Beethoven a afirmação deste género para piano. Posteriormente alguns outros compositores haviam de o utilizar não só para o piano como para outros instrumentos. É uma peça de pequena dimensão, anunciando outros géneros miniaturais que se haviam de tornar característicos no século XIX como os improvisos, as canções sem palavras e várias outras peças deste tipo.
As bagatelas op. 33 são caracterizadas por uma escrita simples e rigorosa, estabelecendo o compositor um carácter contrastante entre elas. Na primeira sobressaem duas ideias musicais que alternam do princípio até ao fim, a primeira em legato, a segunda em staccato, passando ao modo menor na parte intermédia da peça. Segue-se um scherzo em que sobressaem as partes contrastantes da sua estrutura tripartida. A terceira apresenta igualmente duas ideias musicais e, tal como na primeira bagatela, começa em legato depois muda para staccato, fundindo-se algumas destas ideias no final. A quarta é mais elaborada do ponto de vista das várias linhas  elódicas, apresentando uma textura mais contrapontística.
Segue-se-lhe um Allegro ma no troppo em arpejos ascendentes e brilhantes que irá constrastar, mais uma vez, com a simplicidade da bagatela seguinte. Termina com a mais curta do conjunto que, apesar disso, apresenta uma grande variação sobre a ideia musical inicial.
Cinco das bagatelas do op. 119 (nos. 7-11) foram escritas no início de 1821 e publicadas numa compilação de obras didácticas para piano. As outras seis (nos. 1-6) foram repescadas de esboços anteriores e completadas em 1822. Para que este último grupo formasse um todo coeso, Beethoven procedeu a algumas alterações de forma a obter um equilíbrio entre elas no que respeita às tonalidades, aos andamentos, aos compassos e até à repetição subtil de alguns dos motivos em peças diferentes. Estes dois conjuntos de bagatelas foram mais tarde publicados como se se tratasse de um único ciclo, o que não reflectiu a sua composição original, pelo que se devem ouvir como dois grupos distintos. Já as peças que constituem o op. 126 foram pensadas e escritas em 1824 como um todo. Neste  conjunto pode observar-se a capacidade de Beethoven para ultrapassar um modelo normalmente considerado simples, académico e até superficial em algo que vai muito para além disso, através de técnicas já utilizadas nos opus anteriores — como o desenvolvimento, a variação das ideias musicais, os finais poéticos — só que agora na sua versão mais reduzida e concentrada. Nesse sentido o conjunto destas peças apresenta uma qualidade única no tratamento de técnicas complexas com uma tão grande economia de meios num género de pequena dimensão como é a bagatela.

Maria José Artiaga

JINGGE YAN, piano
Nasceu em Pequim, em 1986, onde teve as suas primeiras aulas de piano aos 4 anos de idade. Mais tarde ingressou no Conservatório
«Oberlin», em Ohio (E.U.A.), onde estudou sob a orientação do Prof. Peter Takács, tendo concluído o Curso Superior de Piano e de
Órgão, em 2011. Foi distinguido pelo Conservatório «Oberlin» com o Prémio «Rudolf Serkin». Prossegue agora os seus estudos de
mestrado na Universidade «Mozarteum», em Salzburgo (Áustria), na classe do Prof. Pavel Gililov. Foi laureado em diversos concursos
internacionais, onde se destaca o 1.º Prémio da 4.ª edição do Concurso Internacional «Telekom Beethoven» (2011). Apresenta-se regulamente em concerto na Europa, Ásia e E.U.A.